Com recuperação lenta do emprego, abertura de empresas individuais cresce quase 30%

A criação de empresas individuais e o surgimento de novos Microempreendedores Individuais (MEI) cresceram com força nos primeiros sete meses de 2019. No período, foram abertas quase 18 mil empresas individuais e feitos mais de 225 mil cadastros de MEI, o que representa avanços de 29,5% e 21,5% na comparação com o mesmo período de 2018, respectivamente.

Os dados foram divulgados pela Serasa Experian, e mostram que o avanço da criação das empresas individuais e MEIs é maior do que o aumento de 11,1% da quantidade de sociedades limitadas no mesmo período.

Os números da Serasa refletem uma realidade já demonstrada pelos dados do mercado de trabalho do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE): em ritmo lento, a recuperação vem sendo puxada pelo aumento de pessoas trabalhando por conta própria, além da elevação da informalidade. Enquanto isso, a retomada do emprego com carteira assinada ainda não mostra sinais de retomada forte.

Nesse cenário, o número de empresas criadas registrado pela Serasa Experian em julho (mais de 281 mil no mês) é o maior desde que o levantamento foi iniciado, em 2010.

“O que está puxando a abertura de empresas ainda é, infelizmente, a situação muito ruim do mercado de trabalho”, resume Luiz Rabi, economista da Serasa, que cita ainda a demora para a recuperação da criação de empregos. “Três anos de desemprego em patamares muito elevados, ninguém aguenta. As pessoas vão se virar de alguma forma em algum momento.”

O economista lembra que, além das pessoas que abriram pequenos negócios, os dados da pesquisa também incluem aquelas que abriram Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para trabalhar em empresa como prestador de serviços, mas na verdade atuam como contratados (no fenômeno conhecido como “pejotização”).

Setor de serviços lidera aberturas
O setor de serviços é o que mais está gerando a criação de novas empresas. Em julho, o crescimento na comparação anual foi de 33% no número de novos negócios no setor. O avanço é bem menor que os 20% do comércio e 17% da indústria.

“O que normalmente aparece são serviços de higiene e beleza, reparo e manutenção, serviços de alimentação”, lista Rabi.

O economista comenta que uma das razões para que o setor de serviços lidere a abertura de empresas é a maior facilidade para os empreendedores. “É um setor em que as pessoas, para abrir o negócio, não precisam de muito dinheiro. Não é como abrir uma loja, que precisa montar estoque, comprar muitas mercadorias. No setor de serviços, as pessoas conseguem abrir o negócio de forma mais barata, muitas vezes não precisa nem de um ponto comercial.”

Fonte: g1.globo.com – Crédito da foto: feminaria.com.br

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