Vendas do varejo caem pela terceira vez consecutiva

As vendas do varejo em julho caíram 0,5% em relação a junho, informou nesta quinta-feira, 13, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este é o terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando assim perda de 2,3% entre os meses de maio e julho. Curiosamente, no ano, o setor avançou, exatamente, 2,3%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (julho de 2018 ante julho de 2017), sem ajuste sazonal, as vendas do varejo tiveram queda de 1,0% e, assim, interromperam uma sequência de 15 altas seguidas nessa base de comparação.

Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 0,4% em julho ante junho. Na comparação com julho de 2017, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 3,0% em julho de 2018. 

As vendas do comércio varejista ampliado acumularam alta de 5,4% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de avanço de 6,5%.

A greve dos caminhoneiros deixou marcas nas vendas do varejo até julho. Segundo a gerente da Coordenação de Comércio e Serviços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Isabella Nunes, nenhuma das atividades do varejo investigadas na Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) recuperou o nível de antes da paralisação. "Se comparar julho com abril nada se recupera", afirmou Isabella.

Para a pesquisadora, a greve de maio foi um "evento que impactou". Além disso, em junho houve impactos indiretos da greve, que desgastou a confiança dos consumidores, trazendo "cautela e conservadorismo nos gastos das famílias".

Após dois meses consecutivos de queda nas vendas, de 1,4% em maio e de 0,4% em junho (dado já revisado), a maioria das expectativas do mercado indicava expansão do comércio. O resultado, porém, veio abaixo das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam desde uma queda de 0,40% a um avanço de 1,10%, com mediana positiva de 0,3%.

A queda de 0,5% nas vendas do varejo restrito em julho ante junho decorreu da baixa em cinco das oito atividades pesquisadas pela Pesquisa Mensal de Comércio (PMC).

O destaque foi a pressão negativa exercida pelos setores de Móveis e eletrodomésticos (-4,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,5%) e Tecidos, vestuário e calçados (-1,0%). Segundo o IBGE, esses setores pesam 30,0% do total do varejo.

Também caíram Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-2,7%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,9%).

Na contramão, houve alta nas atividades de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,7%) e Combustíveis e lubrificantes (0,4%).

Segundo o IBGE, esses setores devolveram, em julho, parte das perdas registradas no mês anterior, respectivamente, de -3,6% e -1,9%, enquanto as vendas do segmento de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,1%) praticamente ficaram estáveis nessa comparação.

 

Fonte: Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo/ crédito da foto: tribunadaconquista.com.br

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